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Por ser um grupamento muscular que traz pouco ou nenhum efeito visual no assunto hipertrofia, o manguito rotador geralmente não é lembrado e por isso a importância do seu fortalecimento para a estabilização do ombro poucas vezes é mencionada. Ele é um componente muito importante para a segurança dos movimentos do ombro, que são amplos e variados, e para que esses movimentos ocorram de maneira correta, prevenindo diversos tipos de lesão.

 

O que é o manguito rotador?

 

Para que possamos entender melhor sobre como acontece essa estabilização e proteção do ombro, é necessário saber um pouco da anatomofisiologia do manguito rotador. Ele é composto por quatro músculos, sendo eles: subescapular, supraespinhal, infraespinhal e redondo menor. De acordo com a anatomia, existe a origem ou inserção proximal (ponto do osso onde o músculo se inicia, que sempre vai ser de medial para distal, ou de dentro para fora), e a inserção ou inserção distal (ponto onde o músculo termina, ou seja, local mais próximo à extremidade do corpo, onde o músculo está inserido). Todos os músculos constituintes do manguito rotador são originados na escápula, cada qual em um local específico do osso, e inseridos no úmero, em locais específicos também. Ou seja, eles são dispostos de forma a circundar a cabeça do úmero na cavidade glenoumeral, permitindo, dessa forma, a congruência correta dessa articulação.

Cada músculo do manguito rotador possui uma determinada função, porém, que se complementam. O subescapular auxilia a rotação medial, a adução do braço e evita o deslocamento posterior da cabeça umeral; o supraespinhal ajuda na execução da abdução do braço e impede deslocamentos articulares superiores; o infraespinhal realiza a rotação lateral do braço e o redondo menor também atua na rotação lateral, na adução e junto com o infraespinhal, limita deslocamentos articulares anteriores.

 

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No geral, podemos observar que esses músculos juntos são responsáveis basicamente pelas rotações internas e externas, o que justifica o nome desse grupamento muscular. Em conjunto, eles buscam estabilizar o ombro, mantendo a cabeça do úmero em um perfeito encaixe com a cavidade glenoidal. Também atuam na proteção da cápsula articular, impedindo movimentos excessivos da cabeça do úmero nas direções anterior, posterior e superior, impossibilitando uma variedade de lesões.

 

Por que fortalecer o manguito rotador?

 

Levando em conta tudo o que acabamos de conhecer sobre o manguito rotador, e conduzindo para o ponto de vista da musculação, até existem exercícios que envolvam pequenas rotações de ombro, mas nenhum deles chegam a atingir o manguito rotador ao nível de fortalece-lo. Deste modo, ele deve ser fortalecido de forma isolada, em um exercício específico, como em um treino de manutenção, e como é uma musculatura com função essencialmente de sustentação, sem ganhos estéticos com hipertrofia (até mesmo pela profundidade em que se situam), normalmente é desmotivador o seu treinamento.

É também por esse motivo que quero deixar bem destacado a importância do fortalecimento desse grupamento muscular para a prevenção de lesões, principalmente no que se refere à musculação, onde a vulnerabilidade de trauma é ainda maior devido à falta de preparo de muitos em relação à proteção e estabilização das estruturas corporais em geral.

Nossos tendões, músculos, ligamentos, bursa, cartilagem, entre outras estruturas, não estão preparados para certos movimentos com altas cargas ou treinamentos excessivos.

Para isso é necessária uma manutenção das musculaturas estabilizadoras, tornando-as mais fortes, e adaptando-as ao exercício mais resistido, melhorando a capacidade de sustentar mais carga, sem que prejudique a estrutura utilizada. Assim, da mesma forma que o treinamento na musculação em geral é gradativo, as musculaturas de sustentação também devem ser treinadas gradativamente para tais exercícios.

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Problemas de não fortalecer o manguito rotador

 

Algumas das lesões que mais acontecem na academia, que envolvem o enfraquecimento do manguito rotador são: sub luxação e luxação de ombro, que é o “desencaixe” parcial ou completo da articulação, respectivamente; distensão e ruptura de tendões; tendinites e bursites que são inflamações dos tendões e da Bursa, respectivamente; síndrome do impacto, é uma compressão que ocorre entre musculatura e estruturas adjacentes à articulação, principalmente ao fletir ou abduzir o ombro; e a capsulite adesiva que é a inflamação da cápsula articular, gerando rigidez articular e limitação dos movimentos.

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Essas são algumas lesões mais comuns, mas existem uma imensidão de danos que podem acontecer, prejudicando seu treino, sendo que alguns até podem trazer incapacidades permanentes, se não tomados os devidos cuidados. É por isso que a prevenção ainda é o melhor a se fazer, e mesmo que seja “chato” treinar o manguito rotador, pense na sua saúde a longo prazo, dessa forma a musculação irá gerar bons resultados de dentro para fora, beneficiando e protegendo seu corpo nas suas diversas estruturas. Bons treinos!